Os Sete Reis Da Profecia de
Apocalipse 17
Direitos de publicação reservados para o autor.
“e-mail”: ossetereis@yahoo.com.br
Primeira edição: Mil exemplares.
Editoração: Fernando Villas Bôas e Candido Tominaga.
Capa: Carlo Marucco Neto.
Ilustrações: Carlos Magno C. Oliveira.
Impresso no Brasil.
Curitiba - Paraná.
Data da publicação: 20 de Dezembro de 2000.
Este livro só pode ser vendido a preço de custo, não tem ele, fins
lucrativos, todo dinheiro arrecadado com sua venda será destinado a publicação
de mais exemplares.Assim, provavelmente, uma fotocópia será mais dispendiosa e
com menos qualidade. Embora os direitos estejam reservados para o autor, se
necessário, é expressamente permitida e
estimulada a cópia deste material. Apenas, para evitar que se duplique a
idéia de forma incompleta, pedimos que não se reproduzam trechos isolados. Se
houver necessidade de cópia, que seja na íntegra.
Agradecimentos
Agradeço a Deus pela possibilidade de
ter conhecido e aceito a mensagem Adventista.
Agradeço a Deus pela vontade de
aprofundarme na escatologia bíblica.
Agradeço a Deus pela família, que
embora não professe a mesma fé, tem me dado amor e carinho.
Agradeço a Deus pelos amigos, em
especial aqueles que de alguma forma apoiaram este trabalho, e que não nomino
por receio de olvidar algum nome.
Agradeço a Deus pela namorada, Camille
C. Pizzatto, que me ajudou na confecção deste material.
Agradeço a Deus, de antemão, por
aqueles que de alguma forma, mesmo que pequena, poderão ser influenciados por
este livro a se prepararem para o retorno de Jesus.
Índice
CAPÍTULO 1 - Introdução
1.1 Sugestão de Leitura
..............................................................................................................................................
13
1.2. Da Pesquisa
.........................................................................................................................................................
13
1.2. “Nós”
.......................................................................................................................................................................
15
1.3. Uma “Teoria”
.........................................................................................................................................................
15
1.4. Do Objetivo
............................................................................................................................................................
16
1.5. Por Que Escrever Sobre uma
Hipótese?
..........................................................................................................
16
1.6. Com Relação à Denominação
...........................................................................................................................
17
1.7. Dos Artigos já Publicados
...................................................................................................................................
18
1.8. Para Quem é Dirigido
..........................................................................................................................................
19
1.9. Do Uso do Espírito de Profecia
..........................................................................................................................
20
CAPÍTULO 2 - Interpretando as Profecias.
2.1. Frisando: Existe Possibilidade de
Estarmos Errados.
....................................................................................
21
2.2. Com Que Direito Interpreta-se
Apocalipse 17
..................................................................................................
21
2.3. Profecias “Fechadas” e Profecias
“Abertas”
....................................................................................................
23
2.4. Palavra do Comentário Bíblico
Adventista ........................................................................................................
26
CAPÍTULO 3 - Breve Análise de Outras Escolas de
Interpretação.
3.1. O Texto Bíblico
......................................................................................................................................................
29
3.2. Divisão Didática
...................................................................................................................................................
31
3.3. Foco Central
..........................................................................................................................................................
35
3.4. Escolas de Interpretação
.....................................................................................................................................
36
CAPÍTULO 4 - Argumentos Fragilizantes às Teorias
Historicistas (Metálicas).
4.1. Base Comum às Teorias Metálicas
...................................................................................................................
41
4.2. As Sete Cabeças Estão “NA”
Besta...................................................................................................................
42
4.3. A Sede Geográfica dos Sete Reis
.....................................................................................................................
44
4.4. Sete Reis, Quatro Impérios?
...............................................................................................................................
47
4.5. Outra Fonte Inspirada
...........................................................................................................................................
49
CAPÍTULO 5 - A Teoria Contemporânea.
5.1.“Era, Não É, e Será”
..............................................................................................................................................
55
5.2. Entrelaçando as Profecias
..................................................................................................................................
59
CAPÍTULO 6 - Identificando os Oito Reis.
6.1. A Natureza dos Reis
............................................................................................................................................
69
6.2. Identificando os Papas ........................................................................................................................................
72
CAPÍTULO 7 - Análise Sobre o Sexto e o Sétimo Rei.
7.1. Encaixando os Sete Reis
....................................................................................................................................
81
7.2. O Sexto Rei
...........................................................................................................................................................
82
7.3. O Sétimo Rei
.........................................................................................................................................................
83
CAPÍTULO 8 - O Oitavo Rei.
8.1. Breve Análise do Oitavo Rei na Interpretação
Contemporânea
..................................................................... 87
8.2. Características do Oitavo Rei
.............................................................................................................................
89
CAPÍTULO 9 - O Sexto Rei “Existe”.
9.1. Hipótese Dentro da Hipótese
...........................................................................................................................
113
9.2. Breve Análise das Interpretações
da Expressão “Existe”
.............................................................................
114
9.3. “Existência” no Contexto da
Profecia
..............................................................................................................
116
9.4. Lei Dominical Viria Antes do
Sétimo Rei
........................................................................................................
123
CAPÍTULO 10 - O Que o Mundo Espera.
10.1. Conhecendo as Estratégias do
“Inimigo” ......................................................................................................
127
10.2. Síntese das “Profecias” dos
Videntes
...........................................................................................................
132
10.3. Análise dos Textos dos Videntes
...................................................................................................................
135
CAPÍTULO 11 - Outras Curiosidades / Coincidências.
Curiosidade 1
.............................................................................................................................................................
179
Curiosidade 2
.............................................................................................................................................................
180
Curiosidade 3
.............................................................................................................................................................
180
Curiosidade 4
.............................................................................................................................................................
181
Curiosidade 5
.............................................................................................................................................................
182
Curiosidade 6
.............................................................................................................................................................
183
Curiosidade 7 .............................................................................................................................................................
184
Curiosidade 8
.............................................................................................................................................................
186
CONCLUSÃO............................................................................................................................................................
191
APÊNDICE.
Apêndice 1 .................................................................................................................................................................
195
Apêndice 2
.................................................................................................................................................................
196
Apêndice 3
.................................................................................................................................................................
212
Apêndice 4
.................................................................................................................................................................
214
Apêndice 5
.................................................................................................................................................................
215
Apêndice 6
.................................................................................................................................................................
218
NOTA IASDTatui: A paginação acima corresponde ao livro em seu original
e não à esta cópia em html; se bem que este livro não deva ser lido – como o
próprio autor salienta em sua Introdução – em partes. Porém, irmãos: Orem antes
e abra o seu coração. Não pare quando a sua “curiosidade” for satisfeita com a
revelação da “hipótese” do autor. Continue até o fim; tem muito mais e vale a
pena conhecer esta linha de pensamento expressa nesta Teoria Contemporânea...
Prefácio:
Alceu da Silva Oliveira Filho é formado em Direito pela Universidade
Federal do Paraná e membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia - Central de
Curitiba.
Desde sua
conversão, o autor esteve ligado de forma bastante ativa à obra de Deus, ora
dirigindo grupos de estudos bíblicos, ora produzindo programas na Rádio
Adventista, ora pregando em púlpitos no estado do Paraná.
Após diligentes estudos das várias escolas de interpretação das profecias
bíblicas, e cuidadosa pesquisa dos escritos de Ellen G. White, concluiu a Teoria
Contemporânea - como ele mesmo a nominou - da Profecia de Apocalipse 17.
De posse de informações tão importantes, resolveu produzir este livro que
visa alertar o meio adventista para uma hipótese em que os acontecimentos
finais ocorrerão em curtíssimo espaço de tempo.
O objetivo
do material não é criar falsas expectativas ou alarmar os irmãos da Igreja, e
sim, abrir nossos olhos para mais uma possibilidade, nada remota, para o “Tempo
do Fim”.
Como o próprio autor afirma várias vezes, a “Teoria Contemporânea” não é
apresentada como a palavra final, e sim como uma hipótese, que, se estiver
correta, como cremos, nos remete à estudos mais aprofundados e à ações céleres
no sentido de estarmos preparados para a volta de nosso Salvador.
Curitiba, 24
de Novembro de 2000.
Carlo Marucco Neto.
Introdução:
1.1 Sugestão de Leitura
Pelo fato deste livro ser
fruto de um estudo, foi confeccionado de modo que a compreensão das idéias se
dá de forma crescente.
Assim sugerimos que sua
leitura seja feita na seqüência de capítulos ora proposta. Qualquer trecho, se
lido separadamente, torna-se incompleto.
Também recomendamos que o
irmão tenha sempre a mão a Bíblia aberta, além de papel e caneta, pois este
material não é feito para leitura corrida, como um artigo de jornal ou revista.
Inclusive, é muito provável, que o irmão tenha que reler alguns trechos para
total compreensão.
Contamos com sua
longanimidade.
1.2. Da Pesquisa
Há aproximadamente dois
anos, num retiro, no feriado de carnaval, um irmão nos questionou sobre o que
sabíamos dos “reis” de Apocalipse 17. Confessamos a ele não haver, até aquele
momento, estudado o tema a fundo. Porém, nos entusiasmamos com a idéia e A partir de então, nos debruçamos sobre a
Bíblia e o Espírito de Profecia. Também fomos à busca de material já impresso,
desde àquele editado pela Casa Publicadora Brasileira (C.P.B.), até informações
de outros irmãos. Então começamos a montar nossa estrutura de raciocínio, que,
embora tenha algumas semelhanças com outras idéias, cremos, está elaborada numa
fundamentação própria, diferenciada das que por ventura existam.
Noutras palavras,
entrelaçamos as diversas escolas de interpretação de Apocalipse 17 e, após ver
o quadro de forma mais ampla, notamos algo interessante: existia uma lógica tremenda
entre nosso estudo e a realidade do mundo atual. A partir de então, foi
“tomando corpo” o que hoje apresentamos nesse trabalho, e que achamos por bem
denominar: TEORIA OU HIPÓTESE CONTEMPORÂNEA DE APOCALIPSE 17.
Sabendo então, que se
estivermos corretos, pouquíssimo tempo nos resta. Há mais ou menos quatro meses
passamos a escrever o material que agora está em suas mãos. Assim, nos sentimos
a vontade em pedir sua compreensão se a forma de abordagem, ou até mesmo a
nossa redação deixarem a desejar, pois, para quem, como nós, não está habituado
a expor uma temática tão delicada e complexa, confessamos que este tempo para a
confecção nos pareceu pouco.
É possível também que em
alguns pontos pareçamos deveras prolixos, repetitivos. Porém, nossa idéia ao escrever
este livro é, antes frisar, repetir, relembrar, mesmo que possa parecer
enfadonho, do que imaginar a possibilidade de não sermos compreendidos. Se por
um lado, para alguns irmãos, mais habituados ao estudo do Apocalipse, “meia
palavra” bastaria, para outros sabemos que as idéias devem ser desenvolvidas
mais esmiuçadamente.
De qualquer forma, queremos
crer que o conteúdo compensa eventuais deslizes.
1.2. “Nós”
Optamos por escrever esta pequena obra na
primeira pessoa do plural, “nós”, porque, embora tenha existido um indivíduo
centralizador desta pesquisa (o autor), de alguma forma outros também nos
apoiaram. Além do que, usar a primeira pessoa do singular, “eu”, nos causaria desconforto pessoal.
1.3. Uma “Teoria”
No próximo capítulo,
procuraremos explicar mais detalhadamente, com que direito cremos ter a
possibilidade de interpretar o capítulo 17 de Apocalipse. Porém, desde já,
queremos deixar bem claro (e durante este estudo voltaremos a “bater” na mesma
idéia), que estamos analisando uma HIPÓTESE dentro da escatologia. Uma TEORIA
que, embora creiamos estar bem embasada, e existir uma grande probabilidade de
estar correta, não deixa de ser uma suposição.
Como tal, não pretendemos de
forma alguma, ser categóricos, irredutíveis, com relação a nenhum
posicionamento dentro deste material, de forma que o irmão tem total liberdade
de discordar de nossos pontos de vista.
É claro, o entusiasmo com
que escrevemos pode, em alguns momentos, deixar a idéia de que estaríamos
“fechando questão”, pois cada informação que neste material expomos, não foi
assimilada, senão com muita oração, esforço e perseverança. De modo que, assim
como o garimpeiro se empolga quando mostra, depois de árduo trabalho, algumas
pepitas que encontrou, também nós temos a tendência de nos entusiasmar quando
da apresentação de algumas idéias. Voltamos, porém, a frisar que este estudo
não passa de uma hipótese, e como tal, sujeito a acertos e erros. Assim, cremos
ser impossível que, a través deste livro, possam existir futuros desapontamentos.
1.4. Do Objetivo
Quando é levantada uma
teoria, não se deve, por causa dela, tomar atitudes precipitadas. O objetivo
deste livro é, num primeiro momento, estimular o estudo e a pesquisa. E num
segundo plano, relembrar ao irmão que JESUS REALMENTE ESTÁ VOLTANDO e devemos
nos preparar. Porém, nossa intenção não é, de forma alguma, provocar reações
impensadas, que estejam fora da temperança e moderação cristãs.
É claro, se nossa teoria
vier a se confirmar pelos acontecimentos futuros, aí sim, podemos até sugerir
que o irmão tome medidas mais sérias e céleres. Por agora, entreguemos nossa
vida a Deus e busquemos, o que, independente de qualquer estudo profético,
deveríamos ter: comunhão diária com o Senhor, esperando sempre que o Seu
retorno seja breve.
1.5. Por Que Escrever Sobre
uma Hipótese?
Se for uma hipótese, por que
então escrever sobre ela? É possível que nossas conclusões possam ser apenas
humanas, ocorre, que cremos existir a possibilidade de serem divinas, pois,
como falou nosso Salvador: “O vento sopra onde quer” (João 3:8), o Espírito
Santo ilumina a cada um conforme lhe aprouver. Não que estejamos agora
recebendo visões e sonhos proféticos, longe disso, mas sabemos que Deus pode
impressionar a mente dos seres humanos que o buscam, mostrando-lhes, através da
razão e da lógica, verdades das Escrituras.
Portanto, a nós, coube o
seguinte raciocínio: e se realmente for Deus quem nos está levando a chegar
nestas conclusões? E se realmente for o Espírito Divino que está nos iluminando
para percebermos alguns detalhes que irão ocorrer no futuro? Devemos ficar
calados?
Devemos esperar primeiro que
os acontecimentos se concretizem para, aí sim, passar adiante o que concluímos?
Cremos que sobre nós repousa
a responsabilidade de ao menos levantar a questão. Se for um raciocínio
meramente humano ou se é algo iluminado por Deus, muito em breve o saberemos.
Por agora, temos, ao menos, nossa consciência tranqüila quanto ao dever
cumprido.
1.6. Com Relação à
Denominação
Infelizmente, existem
“irmãos” que procuram qualquer pretexto para criticar a liderança adventista do
sétimo dia, e criar movimentos separatistas espúrios. Preocupados em não nos
parecer (nem de longe!) com estes indivíduos, procuramos manter informado nosso
pastor distrital, do material que estávamos pesquisando. Ressaltamos a nobre
postura do pastor, pois, se em nenhum momento emitiu pareceres pessoais à nossa
pesquisa, por outro lado, nos estimulou a preparar a idéia para análise dos
teólogos de nossas instituições de ensino. Assim, esperamos que esteja claro
que nossa postura com relação à organização da igreja não é fazer nada às
escondidas.
Também queremos deixar claro
que compreendemos a dificuldade da Igreja Adventista do Sétimo Dia, como
instituição, de aceitar oficialmente, mesmo que bem embasada, uma teoria
semelhante a que procuramos desenvolver nessa obra. Realmente seria temerário à
Igreja, levantar uma questão hipotética, como sendo uma de suas bandeiras.
1.7. Dos Artigos já
Publicados
Temos em mãos e somos também
conhecedores da íntegra de dois artigos publicados na Revista Adventista de
julho e agosto de 1999, os quais, muito bem, refutam idéias que têm algumas
semelhanças com a teoria exposta neste livro (Teoria Contemporânea). Inclusive,
concordamos com a maioria das refutações apresentadas nos artigos, pois, a
falha, ao nosso ver, não foi da revista, mas sim da pouca base que,
infelizmente, algumas pessoas têm quando tentam apresentar teorias com
interpretações contemporâneas sobre o Apocalipse 17. Na ânsia por novidades,
essas pessoas acabam colocando “os pés pelas mãos”, e, sem uma pesquisa séria,
terminam por “queimá-las”.
Pelo que já pesquisamos,
realmente ainda não existe material consistente sobre o Apocalipse 17 dentro
dessa linha de raciocínio (contemporâneo). Humildemente admitimos: é este o
intuito do livro que está em suas mãos, abrir uma possibilidade séria de
Apocalipse 17 ter outra interpretação.
1.8. Para Quem é Dirigido
Este livro, infelizmente,
teve que ser redigido supondo-se que o seu leitor seja, senão membro, ao menos
bom conhecedor das doutrinas da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
O que para o adventista
(infelizmente, nem sempre), são conceitos bíblicos já bem estudados, para os
não-adventistas, podem ser questões nunca antes imaginadas. Se tivéssemos que escrever
para o não-adventista, a gama de informações teria que ser extremamente
aumentada e o material acabaria por tornar-se muito “pesado” para a leitura.
Ademais, seria despendido um tempo várias vezes superiores ao já escasso que
tivemos para a confecção deste livro.
Assim sendo, aconselhamos a
você, irmão que está lendo este livro, e que não é adventista, a procurar
alguém que pertença à nossa denominação para lhe auxiliar na compreensão de
alguns concei-tos que serão colocados nas próximas páginas. Caso isto não seja
possível, sugerimos completar o curso “Revelações do Apocalipse”, editado pela
Casa Publicadora Brasileira. Você poderá encontra-lo no site:
www.cvvnet.org/cgi-bin/apocalipse .
Repetimos, pois nos parece
importante: se o irmão leitor, não é adventista do sétimo dia, muitos pontos
deste livro poderão lhe parecer confusos, ilógicos, absurdos, grosseiros e até
mesmo chocantes.
Portanto com toda a
delicadeza, e para o seu próprio benefício, pedimos que pare imediatamente essa
leitura e procure um adventista do sétimo dia para lhe acompanhar na análise
desta nossa pesquisa.
1.9. Do Uso do Espírito de
Profecia
É importante salientar para
o irmão que crê e comprende a importância do Espírito de Profecia que, com
relação aos textos usados neste livro, procuramos mantê-los totalmente
integrados, inseridos e harmonizados com seus contextos originais. Para tanto,
passamos o endereço da página oficial dos escritos de Ellen G. White na
internet, onde o leitor poderá encontrar todos os textos utilizados nesta obra:
http://www.egwestate.andrews.edu/ .
Interpretando
as Profecias:
2.1. Frisando: Existe
Possibilidade de Estarmos Errados.
Embora tenhamos procurado
nos aprofundar na pesquisa deste tema, temos consciência que o futuro pode nos
mostrar interpretações diversas das esperadas por nós. Cremos ser pequena tal
possibilidade e esperamos que o leitor, à medida que compreenda as idéias aqui
colocadas, também some-se a nós nesta expectativa, mas, repetimos, este
material é uma hipótese.
2.2. Com Que Direito
Interpreta-se Apocalipse 17
É bom relembrarmos primeiro
o que é uma profecia. São mensagens que Deus nos dá relativas a acontecimentos
futuros, com o objetivo de nos alertar, encorajar, enfim, preparar-nos para
algo que está por vir. E o Senhor nos deixaria algo profético escrito para
entendermos somente na eternidade? Nos parece óbvio que não, pois se assim
fosse, a profecia ao invés de ser uma revelação seria um meio de confusão.
É certo que existem
profecias difíceis na sua interpretação, mas isto de forma alguma deve nos
servir de desculpa para dizer-mos serem impossíveis de ser compreendidas.
Imagine se Guilherme Miller desistisse de estudar a profecia das 2.300 tardes e
manhãs, que é bem mais complexa que Apocalipse 17, por achar ele ser muito
complicada a interpretação?
“Que ninguém pense que
por não poder explicar o significado de cada símbolo do Apocalipse, é-lhe
inútil pesquisar este livro numa tentativa de conhecer o significado da verdade
que ele contém. Aquele que revelou estes mistérios a João dará ao diligente
pesquisador da verdade um antegozo das coisas celestiais. Aqueles cujo coração
está aberto à recepção da verdade serão capacitados a compreender seus ensinos,
e ser-lhes-á garantida a bênção prometida àqueles que ‘ouvem as palavras desta
profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas’ “.
Apoc. 1:3.( Ellen G. White,
Atos dos Apóstolos , 585)
Reflitamos: se “Deus nada
faz, sem antes revelar seus segredos aos seus servos, os profetas” (Amós 3:7),
também Deus não revelará nada que não irá acontecer, seria ilógico. Assim
sendo, a profecia de Apocalipse 17, assim como todas as outras, nos foram dadas
para serem compreendidas antes de seu cumprimento. Não queremos dizer com isso
que a interpretação defendida nesta obra seja definitiva, mas que é definitivo,
isto sim, a necessidade de estudo e pesquisa escatológicos.
“Deve haver estudo mais
aprimorado e mais diligente do Apocalipse, e apresentação mais fervorosa das
verdades que contém - verdades que concernem a todos quantos vivem nestes
últimos dias.”
Ellen G. White, Manuscrito
105, 1902.(Evangelismo,197)
2.3. Profecias “Fechadas” e
Profecias “Abertas”
Por uma questão didática,
achamos por bem nominar as profecias em “fechadas” e “abertas”.
As “fechadas” seriam os
acontecimentos proféticos que, tanto a Bíblia como o Espírito de Profecia, são
categóricos nas conclusões, não dando margem para dúvidas. Tornando-se,
inclusive, parte do corpo doutrinário de nossa fé.
Exemplos de profecias
“fechadas”:
-a segunda vinda de
Cristo;
-a ressurreição dos
mortos;
-o milênio no Céu;
-a Nova Terra;entre
outras.
As profecias “abertas”
seriam o inverso das “fechadas”.
Enquanto aquelas
(“fechadas”) são a base da fé, estas (“abertas”) não interferem na doutrina,
admitindo várias interpretações. E como o próprio nome sugere, estão abertas a
estudo e pesquisa.
Exemplos de profecias
“abertas”:
-Daniel 11;
-Ezequiel 9;
-o Armagedom;entre
outras.
Por mais antagônicas que
possam parecer suas interpretações, as profecias “abertas” são e continuarão
sendo, até o derradeiro momento de seu cumprimento, objeto de análise
escatológica. E de maneira alguma deveriam abalar, em um ínfimo ponto sequer, a fé, a segurança, a estabilidade e o
equilíbrio do povo adventista, pois não interferem na doutrina. Ao contrário,
tais profecias têm, sim, a finalidade de estimular o debate, a pesquisa e a
troca de idéias.
”Quando não surgem novas
questões em resultado de investigação das Escrituras, quando não aparecem
divergências de opinião que instiguem os homens a examinar a Bíblia por si
mesmos, para se certificarem que possuem a verdade, haverá muitos agora, como
antigamente, que se apegarão às tradições, cultuando nem sabem o quê.”
Ellen G. White, Testemunhos
Seletos, vol. 2, pág. 312 .
E se, porventura, surgirem
posicionamentos radicais derivados destes estudos? Ao nosso ver, não devem eles
jamais abafar o ânimo das pesquisas, pois, radicalismos, infelizmente, existem
sobre quaisquer assuntos relacionados com a fé.
Ao nosso ver podem existir dois grandes erros em relação
às profecias abertas: primeiro, não estudá-las; segundo, “fechar questão” sobre
elas.
Portanto, devemos nos
aprofundar, mas não podemos afirmar que somente o nosso ponto de vista está
correto e passar então a condenar outros por pensarem diferentemente de nós. O
que podemos, sim, é mostrar desapreço por aqueles que, por ventura,
desestimulem tais estudos, pois ao nosso ver, o cristão não só pode como deve
procurar aprofundamento escatológico.
“As
mensagens solenes que têm sido dadas em sua ordem no Apocalipse são para ocupar o primeiro lugar nas mentes
do povo de Deus.”
Ellen
G. White, (Testemonies , vol. 8, 302)
“Ao nos aproximarmos do fim
da história deste mundo, devem as profecias relativas aos últimos dias exigir
especialmente nosso estudo. O último livro dos escritos do Novo Testamento,
está cheio de verdade que precisamos compreender. Satanás tem cegado o espírito
de muitos de modo que se têm contentado com qualquer desculpa por não tornarem
o Apocalipse motivo de seu estudo. Mas Cristo, por intermédio de Seu servo João
declara aqui o que será nos últimos dias; e Ele diz: “Bem-aventurado aquele que
lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela
estão escritas.”
Apoc. 1:3. (Ellen G. White, Testemunhos Para Ministros, 117)
O capítulo 17 de Apocalipse
é justamente mais uma dessas profecias “abertas”, não entra no campo
doutrinário da nossa fé.
Não queremos dizer agora que
temos uma “nova luz” e que se alguém não concordar conosco está “perdido”.
Pretendemos aqui, apenas apresentar algumas escolas de interpretação deste
capítulo, e posteriormente, mostrar uma forma diferente de analisá-lo. Se o
leitor concordar ou não conosco, continuará sendo o mesmo adventista do sétimo
dia que sempre foi. Esperamos assim que esteja clara nossa posição de não
causar alardes, barulho ou atritos dentro de nossa congregação, e sim, como já
dissemos, estimular a pesquisa e a troca de idéias; além de, se Deus nos der
este maravilhoso privilégio, ajudá-lo, irmão, mesmo que infimamente, na sua
preparação, para a tão esperada volta de Jesus.
2.4. Palavra do Comentário
Bíblico Adventista
Para nós, foi um alívio e ao
mesmo tempo um estímulo, quando verificamos que o próprio Comentário Bíblico
Adventista, de modo claro e sábio, admite que a profecia dos “sete reis” de
Apocalipse 17 (o foco principal de nossa pesquisa), não é “dogmática”, ou em
outras palavras não é “fechada”, mas sim “aberta”.
Embora não tenha o mesmo
peso de uma passagem da Bíblia, ou do Espírito de Profecia (ambos não tem a
possibilidade de erro), o texto a seguir, do Comentário Bíblico Adventista, nos
vale muito, pois demonstra qual é a posição oficial da organização da Igreja
Adventista do Sétimo Dia. Fortalecendo, assim, nossa convicção quanto a
possibilidade de, sem ir contra a nossa fé, interpretarmos Apocalipse 17.
“Em vista de que a
Inspiração não indicou que se deve entender que as sete cabeças representam
sete nações particulares e não especificou nenhum momento desde o qual devem
ser calculadas, este Comentário considera que a evidência é insuficiente para
garantir uma identificação dogmática delas.”
(Comentário
Bíblico Adventista, em espanhol, vol. VII, pág. 868.)
Breve
Análise de Outras Escolas de Interpretação:
3.1. O Texto Bíblico
Podemos dividir essa
pesquisa, basicamente, em duas partes:
1ª) Análise das
outras escolas de interpretação;
2ª) Explicação da
Teoria Contemporânea.
Porém, antes de fazermos
essa pequena análise de algumas escolas de interpretação do capítulo 17 do
Apocalipse, sugerimos ao leitor que realmente leia todo o capítulo, mesmo que
já o tenha feito antes. Se o fizer de maneira lenta e concentrada, procurando
se familiarizar com os símbolos aí apresentados, ainda melhor.
1- E veio um dos sete
anjos que tinham as sete taças e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a
condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas,
2- Com a qual se
prostituíram os reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o
vinho da sua prostituição.
3- E levou-me em espírito
a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlate, que
estava cheia de nomes de blasfêmia e tinha sete cabeças e dez chifres.
4- E a mulher estava
vestida de púrpura e de escarlata, adornada com ouro, e pedras preciosas, e
pérolas, e tinha na mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia
da sua prostituição.
5- E, na sua testa,
estava escrito o nome: MISTÉRIO, A GRANDE BABILÔNIA, A MÃE DAS PROSTITUIÇÕES E
ABOMINAÇÕES DA TERRA.
6- E vi que a mulher
estava embriagada do sangue dos santos e do sangue das testemunhas de Jesus. E,
vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração.
7- E o anjo me disse: Por
que te admiras? Eu te direi o mistério da mulher e da besta que a traz, a qual
tem sete cabeças e dez chifres.
8- Abesta que viste foi e
já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição. E os que habitam na terra
(cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se
admirarão vendo a besta que era e já não é, mas que virá.
9- Aqui há sentido, que
tem sabedoria. As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher está
assentada.
10- E são também sete
reis: cinco já caíram, e um existe; outro ainda não é vindo; e, quando vier,
convém que dure um pouco de tempo.
11- E a besta, que era e
já não é, é ela também o oitavo, e é dos sete, e vai à perdição.
12- E os dez chifres que
viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão o poder como
reis por uma hora, juntamente com a besta.
13- Estes têm um mesmo
intento e entregarão o seu poder e autoridade à besta.
14- Estes combaterão
contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o
Rei dos reis; vencerão os que estão com Ele, chamados, eleitos e fiéis.
15- E disse-me: As águas
que viste, onde se assenta a prostituta, são povos, e multidões, e nações, e
línguas.
16- E os dez chifres que
viste na besta são os que aborrecerão a prostituta, e a porão desolada e nua, e
comerão a sua carne, e a queimarão no fogo.
17- Porque Deus tem posto
em seu coração que cumpram o seu intento, e tenham uma mesma idéia, e que dêem
à besta o seu reino, até que se cumpram as palavras de Deus.
18- E a mulher que viste
é a grande cidade que reina sobre os reis da terra.
(Almeida Revista e
Corrigida)
3.2. Divisão Didática
Para efeito didático, para
ajudar o irmão a localizar-se na profecia, vamos dividir o apocalipse 17 em
duas grandes partes:
1ª) - Do versículo 1
ao 6 - temos a VISÃO;
2ª) - Do versículo 7
ao 18 - temos a INTERPRETAÇÃO DA VISÃO.
Essas duas partes, por sua
vez, têm suas subdivisões.
A primeira parte (vers. 1-6)
se divide em duas:
A) - Versículos 1 e 2 -
fazem uma espécie de introdução à visão:
1- E veio um dos
sete anjos que tinham as sete taças e falou comigo, dizendo-me: Vem,
mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas
águas,
2- Com a qual se
prostituíram os reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o
vinho da sua prostituição.
B) - Versículo 3 a 6 -
começa a visão propriamente dita. Repare que no início do versículo 3 é que o
anjo “leva em espírito” a João:
3- E levou-me em
espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor
escarlate, que estava cheia de nomes de blasfêmia e tinha sete cabeças e dez
chifres.
4- E a mulher
estava vestida de púrpura e de escarlata, adornada com ouro, e pedras
preciosas, e pérolas, e tinha na mão um cálice de ouro cheio das abominações e
da imundícia da sua prostituição.
5- E, na sua
testa, estava escrito o nome: MISTÉRIO, A GRANDE BABILÔNIA, A MÃE DAS
PROSTITUIÇÕES E ABOMINAÇÕES DA TERRA.
6- E vi que a
mulher estava embriagada do sangue dos santos e do sangue das testemunhas de
Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração.
A segunda parte se divide em:
A) - Versículo 7 - introduz
a interpretação da visão.
7- E o anjo me
disse: Por que te admiras? Eu te direi o mistério da mulher e da besta que a
traz, a qual tem sete cabeças e dez chifres.
B) - Versículos 8 a 11
- focalizam a besta, seus tempos proféticos e os oitos reis (sete reis + o
oitavo):
8- Abesta que
viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição. E os que
habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a
fundação do mundo) se admirarão vendo a besta que era e já não é, mas que virá.
9- Aqui há
sentido, que tem sabedoria. As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a
mulher está assentada.
10- E são também
sete reis: cinco já caíram, e um existe; outro ainda não é vindo; e, quando
vier, convém que dure umpouco de tempo.
11- E a besta,
que era e já não é, é ela também o oitavo, e é dos sete, e vai à perdição.
C) - Versículos 12 a 17
- tratam dos 10 chifres e da destruição da prostituta:
12- E os dez
chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão
o poder como reis por uma hora, juntamente com a besta.
13- Estes têm um
mesmo intento e entregarão o seu poder e autoridade à besta.
14- Estes
combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos
senhores e o Rei dos reis; vencerão os que estão com ele, chamados, eleitos e
fiéis.
15- E disse-me:
As águas que viste, onde se assenta a prostituta, são povos, e multidões, e
nações, e línguas.
16- E os dez
chifres que viste na besta são os que aborrecerão a prostituta, e a porão desolada
e nua, e comerão a sua carne, e a queimarão no fogo.
17- Porque Deus
tem posto em seu coração que cumpram o seu intento, e tenham uma mesma idéia, e
que dêem à besta o seu reino, até que se cumpram as palavras de Deus.
D) - Versículo 18 - faz
o fechamento, confirmando a localização geográfica do poder de Apoc. 17:
18- E a mulher
que viste é a grande cidade que reina sobre os reis da terra.
3.3. Foco Central
Nosso foco central dentro
dessas subdivisões são os versículos de 8 a 11. Logicamente, de alguma forma
passaremos pelos demais versículos do capítulo 17, pois existe todo um contexto
envolvido.
Porém, ressaltamos, nosso
objetivo é tentar entender os “misteriosos sete reis”. Ademais, os outros
símbolos (besta, prostituta, águas, etc.) são quase unanimidade nas várias
escolas escatológicas. O que realmente gera controvérsias é, sem dúvida, a
interpretação dos reis.
Pode-se questionar qual
seria o porquê de não explicar-mos, versículo por versículo, na sua ordem
normal, começando pelo primeiro, seguindo a sequencia até o 18, o último. Nos
parece, entretanto, mais correto, não individualizar cada versículo, mas
analisar o todo, o contexto. Noutras palavras, precisamos entender os
símbolos, quando assim o fizermos,
podemos interpretar a profecia em qualquer seqüência.
3.4. Escolas de
Interpretação
No afã dos escatólogos, os
estudiosos das profecias, em interpretar os misteriosos reis de Apocalipse 17,
surgiram, com o passar dos anos, várias escolas de interpretação.
As três que encontramos
registro na literatura escatológica adventista são da chamada linha
“tradicional historicista”. São elas tão conhecidas, que a maioria dos livros
sobre o tema praticamente desconhece outras interpretações. Vejamos
primeiramente essas três escolas.
Depois, nos demais capítulos,
apresentaremos aquela que cremos ter mais coerência.
- A primeira
considera os sete reis como sete diferentes formas de governo dentro da
história romana, que seriam: a realeza, consulado, decenvirato, ditadura,
triunvirato, império e papado.
- A segunda, como
sete imperadores do período imperial romano: Augusto, Tibério, Cláudio,
Calígula, Nero, etc.
Sobre estas duas primeiras, não traçaremos muitos
comentários pelo fato que não têm grande base. Em nossa pesquisa, não
encontramos, dentro da literatura escatológica, ninguém que as fundamente,
explicando-as com consistência. Quando muito, essas teorias são citadas.
- A terceira,
infinitamente mais aceita e difundida, interpreta os sete reis como sendo
poderosos reinos que durante a história perseguiram o povo de Deus. Alguns a
chamam “teoria metálica”, porque quatro, dos sete reis de apocalipse 17, seriam
os quatro imperios descritos através dos quatro metais da estátua de Daniel 2
(ouro/Babilônia, prata/Medo-Pérsia, bronze/Grécia e ferro/Roma), e os outros
três variam entre: Roma Papal, Roma Papal Ferida, Roma Papal Curada, EUA,
Egito, Assíria, França, Espiritismo, Confederação Geral do Mal, etc. Por essas
variantes, podemos dizer que as teorias metálicas se pluralizam entre si,
variam.
Estas variações se dão: 1º)
conforme o pesquisador; 2º) conforme a época em que foi feita a pesquisa e 3º)
conforme os sete reis se encaixam no versículo 10, que mostra a queda de cinco
reis, a existência de um e a vinda de outro.
Porém, num ponto, quase que
a totalidade das variações da teoria historicista (metálica) convergem: tem os
impérios de Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma como sendo “reis” de Apoc.
17. Por isso, são também conhecidas por “teorias metálicas”. Não é nosso
objetivo detalhar todas as variações da teoria, mas, vejamos um resumo que em
nossa pesquisa encontramos de algumas diferenças que surgiram com o passar do
tempo, a partir da base metálica (Daniel 2).
Ao leitor que não tenha
estudado ainda estas teorias, podem parecer um pouco confusas tais
interpretações. O fato, é que não vemos como explicá-las de maneira mais exata,
porque os próprios estudiosos das teorias metálicas divergem muito entre si.
Além do que, os livros de interpretação
do Apocalipse dedicam sempre pouquíssimas páginas a esse estudo dos “reis” do
capítulo 17.
1- Essa variação é baseada
nos poderes universais, os quais têm oprimido o povo de Deus, iniciando com o
Egito. De acordo com esta teoria, o Sexto Rei, como visto nos dias de João,
tinha de ser Roma Pagã. O Sétimo Rei é o anticristo. Nenhuma conclusão franca
quanto à identificação do Oitavo Rei. [Teoria dos Meados de 1800]
2- Outra variação é baseada
sobre os poderes universais, os quais têm oprimido o povo de Deus, e assim,
inicia com o Egito de modo que o Sexto Rei é Roma Pagã. Roma Papal torna-se o
Sétimo Rei. [1960]
3- É usada a imagem metálica
de Daniel 2, de modo que Roma Papal é o Quinto Rei. A França, controlada pelo
Diretório (1795 - 1799), é o Sexto Rei, enquanto os Estados Unidos, após
falarem como um dragão, são o Sétimo Rei. O Oitavo Rei é o rejuvenescido
Papado. [1967]
4- Além da base metálica de
Daniel 2, indica o Quinto Rei como sendo Roma Papal ferida. Os protestantes da
América tornam-se o Sexto Rei, enquanto o Papado revivido é o Sétimo Rei. O
Oitavo Rei é a última confederação do mal (a besta de escarlate). [1974]
5- A imagem metálica é, mais
uma vez, o foco inicial, assim permitindo que “Roma Cristã” se torne o Quinto
Rei. O Sexto Rei é “Roma Cristã ferida”, quando reviver, “Roma Cristã” se
tornará o Sétimo Rei. O Oitavo Rei é o Demônio, soma de todos os estilos
Romanos perseguindo os governos. [1985]
6- Segue o perfil da anterior
[1985], mas, atribuindo o Oitavo Rei como sendo o Papado durante a confederação
dos dez chifres. [1989]
É certo que a grande maioria
daqueles que dizem conhecer a interpretação de Apocalipse 17 aceitam uma delas
ou algo semelhante. Mas por quê? Ao nosso ver, porque, como já dissemos,
praticamente inexiste boa literatura que traga outra interpretação. E nós,
concordamos ou não com ela? Nossa tendência é discordar, mas, como já
colocamos, não nos parece sábio fechar questão com relação a profecias que
ainda estão por se cumprir.
Argumentos
Fragilizantes às Teorias Historicistas (Metálicas):
4.1. Base Comum às Teorias
Metálicas
Procuraremos agora
apresentar alguns dos porquês de não possuirmos grande convicção de que as
teorias com base metálica estejam corretas. Não vemos a necessidade de
analisarmos todas as variações existentes, já que basta ir direto à base, que
como já vimos, é comum entre todas elas: os quatro impérios descritos em Daniel
2 seriam quatro dos “reis” de Apoc. 17.
Nosso objetivo não é formar
um campo de batalha em relação às teorias historicistas, como se estivéssemos
numa competição.
Procuraremos apenas levantar
algumas dificuldades que, ao nosso ver, têm essas interpretações com base
metálica. Esperamos assim estar abrindo a possibilidade de rediscutí-las, o que
pode ajudar até mesmo a fortalecê-las, pois se elas não estão incorretas, no
mínimo, estão mal explicadas. Os livros de interpretação do apocalipse trazem
sempre muito pouca informação sobre os Sete Reis.
Embora nos pareça quase
impossível, não descartamos a hipótese de haver dupla interpretação de Apoc. 17
(“historicista - contemporânea”)
Pensamos ser difícil que os
sete reis realmente sejam os impérios, nações e reinos já citados, não só pelas
razões que apresentaremos a seguir, mas principalmente pelo motivo que vamos
expor mais adiante, onde analisaremos qual, ao nosso ver, é a verdadeira
natureza dos sete reis. A hipótese contemporânea, quando explicada, talvez seja
o maior “fragilizante” da teoria historicista convencional (metálica).
4.2. As Sete Cabeças Estão
“NA” Besta
A besta de Apocalipse 17 não
aparece apenas neste capí-tulo da Bíblia. O capítulo 13, do versículo 1 ao 10,
fala do mesmo animal (lembramos que de Apoc. 13:11 em diante é descrita a
segunda besta, diferente da primeira, que são os EUA e que não nos interessa no
momento). Nossa intenção não é refazer a análise de Apocalipse 13.
Se o leitor é realmente um
adventista do sétimo dia, deve estar cansado de saber que a primeira besta
refere-se ao poder papal.
Besta semelhante, também
aparece em Daniel 7, onde é o quarto animal, representando o império romano.
Este capítulo repete a mesma sucessão de impérios de Daniel 2, a diferença é
que, ao invés de metais, os impérios agora são representados por animais -
leão, urso, leopardo e a besta - respectivamente: Babilônia, Medo-Pérsia,
Grécia e Roma. Nossa intenção não é nos aprofundarmos no estudo de Daniel.
Partimos do presuposto que o
leitor, adventista como é, já tenha conhecimento dessas profecias.
Nossa intenção ao citar,
além de Apocalipse 17, outras duas profecias que falam da besta (Apoc. 13 e
Dan. 7), é de relembrar ao leitor duas idéias já bastante conhecidas:
1º) A besta
representa o poder papal derivado do império romano;
2º) A besta apareceu
depois de Babilônia, Medo-Pérsia e Grécia.
De posse então das
informações acima (besta = poder papal derivado do império romano, e besta =
surgiu somente depois de Babilônia, Medo-Pérsia e Grécia), encontramos um
primeiro motivo para buscarmos interpretação diversa das metálicas. Por quê? As
teorias metálicas dizem que, das sete cabeças da besta (que são os sete reis),
três delas são: Babilônia, Medo-Pérsia e Grécia e as outras quatro variam como
já explicamos. Ora, como é possível um animal ter cabeças se ainda não existe?
Como é possível Babilônia, Medo-Pérsia e Grécia serem cabeças da besta sendo
que a própria besta não existia quando do aparecimento destes reinos?!? As
cabeças e a besta coexistem entre si, formando um único ser. As cabeças estão NA besta, não fora dela.Ou seja, as
cabeças só poderiam vir a existir se a besta existisse.
Mas, a Besta surgiu apenas
com o fim destes impérios, mostran-do que eles não poderiam ser cabeças da
Besta, já que esta se formou com sua dissolução. Esses reinos, sim, servem de
base para a formação histórica da Besta (Apoc. 13:2), mas não são suas cabeças.
Continuando: as sete cabeças
encontram-se NA besta, ou seja,
fazem parte de um tempo em que a besta existe, posterior à Babilônia,
Medo-Pérsia e Grécia. Esmiuçando a idéia:
- Babilônia é um
animal (leão), derrotada por...
- ...Medo-Pérsia,
outro animal (urso), derrotada por...
- ...Grécia, outro
animal (leopardo), derrotada por...
- ...Roma, outro
animal ( besta).
Como, agora, os primeiros
três animais poderiam virar cabeças do quarto animal, que os derrotou,
aniquilou? Repetimos, estes reinos são a base de formação da besta (império
romano), como lembra Apoc. 13, mas não as cabeças.
Vejamos, por exemplo, outro
caso de “algo que está NA besta”, só
que agora em Daniel 7.
É aceito por escatólogos
adventistas, e confirmado pelo Comentário Bíblico Adventista que os dez chifres
que estão NA besta, em Daniel 7, são
as dez nações bárbaras que invadiram a Europa e liquidaram com o império
romano. É obvio: as dez nações bárbaras (dez chifres) existem no mesmo período
histórico do império romano (besta), por isso a profecia diz que os dez chifres
estão NA besta.
Dizer, portanto, que algumas
cabeças da besta de Apocalipse 17 são Babilônia, Medo-Pérsia e Grécia, seria
semelhante a dizer que os dez chifres da besta de Daniel 7 seriam, ao invés das
dez tribos (nações) bárbaras, reinos, como por exemplo, o Egito, a Síria e a
Fenícia, que são reinos historicamente anteriores ao império romano.
Frisando: se as sete cabeças
estão na besta, elas só poderiam existir depois que esta aparecesse, pois estão
nela. Se a besta não existir, logo, não existem as cabeças, porque, pela
lógica, não podem existir cabeças sem haver um corpo.
4.3. A Sede Geográfica dos
Sete Reis
Vamos supor que as teorias
historicistas estivessem corretas, e que realmente quatro, dos sete reis,
fossem os quatro impérios de Daniel 2. Como iríamos ficar com relação à
localização geográfica da sede desses poderes? O irmão pode perguntar: “O que
isto importa?” Ocorre que o poder (Besta) descrito em Apocalipse 17 tem sua
sede definida. E se as cabeças (reis) fazem parte da Besta, e essa tem uma
sede, logo, as cabeças (reis) tem que estar sediadas no mesmo local, pois a
Besta e as cabeças formam um todo, um único animal.
Cremos que Deus, na Sua
infinita bondade, nos deixou bem claro qual é a sede da besta com sete cabeças,
pois as sete cabeças, além de serem os sete reis, também são sete montes (no
apéndice número “1” voltaremos a falar dos montes), nos quais a prostituta
(vers. 3 e 4) está assentada (versículo 9). Só essas passagens já seriam
sufi-cientes para localizarmos a sede deste poder na cidade Roma, pois a mulher
prostituta está assentada, ou seja, têm sua sede, sobre um local formado por
sete montes. E é sabido, através de todas as enciclopédias e livros de
história, que Roma é a cidade dos sete montes. Seus nomes são: “Captalina,
Palatina, Esquilina, Aventina, Viminal, Quiminal e Cele”.
Mas nosso Deus ainda quis
deixar mais clara a localização.
No versículo 18 diz: “a mulher é a grande cidade”.
Façamos algumas correlações:
Nisto, a maioria dos
estudiosos concordam:
- que a sede do
poder representado no Apocalipse 17 é Roma;
- que a Igreja
Católica Romana se enquadra perfeitamen-te na profecia, pois é a “mãe” do
adultério bíblico mundial;
- e que ela tem sua
sede no Estado do Vaticano que está encravado em Roma.
- o Espírito de Profecia
confirma:
“A mulher, Babilônia, de
Apoc. 17, é des- crita como“vestida de púrpura e escarlata e ador- nada com
ouro e pedras preciosas... e sobre sua testa estava escrito um nome, Mistério,
Babilônia a grande, a mãe das prostitutas...” Babilônia está declarada como sendo
“a grande cidade, a qual reina sobre os reis da terra.” O poder que por tantos
anos se manteve impondo e influenciando os monarcas do cristianismo é Roma.”
(Ellen
G. White Volume 6 The Later Elmshaven Years 1905-1915, page 327, paragraph 1)
Ora, se a sede do poder da besta de Apoc. 17 é Roma, consequentemente,
suas cabeças, que são os reis, têm a mesma localização geográfica. Assim, se a
sede do poder dos sete reis é Roma, o que o Egito, Babilônia, Medo-Pérsia,
Grécia, França, Estados Unidos, têm a ver com as sete cabeças? A maioria
absoluta das pessoas sabe que os livros de história nunca colocaram a cidade de
Roma como a sede destes reinos.
Com isso, se tem mais um
argumento que, ao nosso ver, dificulta (não podemos “fechar questão”) a
interpretação da linha historicista (teoria metálica).
4.4. Sete Reis, Quatro
Impérios?
Relembrando: as teorias de
base metálica dizem que as sete cabeças da besta, que são os sete reis, são
assim divididas:
- quatro cabeças:
são os grandes quatro impérios da histó-ria (Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e
Roma), de acordo com Daniel 2. Eles não aparecem obrigatoriamente como as
primeiras quatro cabeças (reis), mas são os únicos reinos que se encontram em
todas essas teorias;
- e as outras três:
como vimos, variam entre Egito, Assíria, Roma Papal, Roma Papal Ferida, Roma
Papal Curada, França, Estados Unidos, Protestantismo e até o Espiritismo.
Aqui vão outras
dificuldades...
1ª) Na estátua de
Daniel 2, que dá a base para as teorias historicistas, Deus nos mostra que existiriam
apenas e tão somente, quatro grandes reinos mundiais, dignos de ser contados
profeticamente.
Se os outros reinos (Egito,
Assíria, França, EUA, etc.) tivessem que figurar lado a lado com os reinos de
Daniel 2, deveriam haver mais metais na estátua e não apenas quatro.
2ª) Se os quatro
primeiros reis simbolizam quatro grandes impérios mundiais, os outros três reis
teriam obrigatoriamente que sim-bolizar também três grandes impérios mundiais.
Por quê? Apocalipse 17 não diferencia os reis em sua natureza. Os sete reis são
idênticos, a profecia não diz que são quatro reis e três “mais ou menos” reis,
nem que são quatro reis e três príncipes, mas sim, que são sete reis. Portanto,
devem simbolizar sete “coisas”, ou sete “pessoas”, ou sete “objetos”, mas sempre
semelhantes em sua natureza.
Vejamos, novamente, o caso
dos dez chifres de Daniel 7, os estudiosos e o próprio Comentário Bíblico
Adventista concordam que estes dez chifres representam dez tribos (nações)
bárbaras européias.
Assim, não podemos dizer que
os sete reis de apocalipse 17 seriam: quatro impérios + um poder religioso
ferido + dois países + etc. Dizer isto, seria o mesmo que falar que os dez
chifres de Daniel 7 são quatro tribos bárbaras européias + um poder religioso +
duas na-ções africanas + etc.
3ª) Mesmo que
contássemos os “sete reis”, não como impérios, mas como reinos ou poderes,
inserir “Roma papal ferida” como um deles nos parece ilógico, pois este é um
período de tempo caracterizado justamente pela cessação de poder.
4.5. Outra Fonte Inspirada
A fonte que embasa mais uma
argumentação contrária às “teorias metálicas” é, embora não bíblica, inspirada
pelo mesmo Poder Redator do Cânon Sagrado. Ou seja, usaremos o Espírito de
Profecia, que cremos, foi dirigido pelo mesmo Espírito que inspirou a Bíblia: o
Espírito Santo de Deus.
“O Espírito Santo é o autor
das Escrituras e do Espírito de Profecia”.
Ellen G. White, Mensagens
Escolhidas, vol. III, pág. 30
Para tanto, pesquisamos, via
internet, no “site” oficial dos escritos de Ellen G. White
(http://www.egwestate.andrews.edu/), e descobrimos que em nenhum momento a
“serva do Senhor” relaciona Apocalipse 17 com os reinos da antigüidade (Egito,
Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia, etc.), nem mesmo cita tais reinos quando trata
de Apocalipse 17. Se o Espírito de Profecia relaciona algo com Apocalipse 17,
este algo é, sem dúvida, a Igreja Romana, o papado. Não queremos dizer com isso
que a Irmã White feche questão sobre o simbolismo de Apocalipse 17, mas é no
mínimo curioso ela não citar os reinos da antigüidade e, por outro lado,
relacionar várias vezes este capítulo com o poder papal. Se, portanto, existir
algum lado que o Espírito de Profecia pareça pender, não é o da linha
historicista (metálica).
Para que não haja dúvida,
fizemos questão de incluir no apêndice (número - “2”) deste material, a
pesquisa feita via internet, no “site” oficial da Universidade de Andrews
(adventista), onde se pode encontrar TODOS OS TEXTOS do Espírito de Profecia
que falam de Apocalipse 17. Vejamos alguns dos mais interessantes:
“No capítulo 17 do
Apocalipse é profetizado a destruição de todas as igrejas que se corromperam
pela adoração idolátrica ao serviço do Papado, aqueles que têm bebido o vinho
da ira da sua fornicação”. [Apoc. 17:14].
ASSIM É REPRESENTADO O PODER PAPAL...(Ellen G. White, Carta 232, 1899.)
“A mulher (Babilônia) de
Apocalipse 17, é descrita como estando “vestida de púrpura e de escarlata, e
adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice
de ouro cheio das abominações e da imundícia; ... e na sua testa estava escrito
o nome: Mistério, a grande Babilônia, a mãe das prostituições”. Diz o profeta:
“Vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos, e do sangue das
testemunhas de Jesus.” Declara ainda ser Babilônia “a grande cidade que reina
sobre os reis da Terra”. Apoc. 17:4-6 e 18. O poder que por tantos séculos
manteve despótico domínio sobre os monarcas da cristandade, é Roma. A cor
púrpura e escarlata, o ouro, as pérolas e pedras preciosas, pintam ao vivo a
magnificência e extraordinaria pompa ostentadas pela altiva Sé de Roma. E de
nenhuma outra potência se poderia, com tanto acerto, declarar que está
“embriagada do sangue dos santos”, como daquela igreja que tão cruelmente tem
perseguido os seguidores de Cristo. Babilônia é também acusada do pecado de
relação ilícita com “os reis da Terra”. Foi pelo afastamento do Senhor e
aliança com os gentios que a igreja judaica se tornou prostituta; e Roma,
corrompendo-se de modo semelhante ao procurar o apoio dos poderes do mundo,
recebe condenação idêntica.”
Ellen G. White, O Grande Conflito, pág. 382.
“Em Apocalipse 17,
Babilônia é representada por uma mulher, uma figura que é utilizada nas
escrituras como o símbolo de uma igreja. Uma virtuosa mulher representa uma
igreja pura, uma mulher adúltera, uma igreja apóstata. A Babilônia que a
descrição representa é Roma, aquela igreja apóstata qual tem tão cruelmente
perseguido os seguidores de Cristo.”
Ellen
G. White, “The Spirit of Prophecy”, Vol. 4, Pg. 233, parágrafo 1.
Relembramos que não temos a
pretensão de que os argumentos acima apresentados sejam infalíveis e as
interpretações metálicas não tenham chances de estarem corretas. Nossa intenção
é, repetimos, mostrar que essas teorias carecem de, no mínimo, mais explicações.
A Teoria Contemporânea:
5.1. “Era, Não É, e Será”
Agora entraremos na
explicação da Teoria Contemporânea propriamente dita, que ao nosso ver, parece
ser a que melhor encaixa na profecia.
Como já citamos, nosso foco
central serão os versículos de 8 a 11, que tratam justamente dos “oito reis”.
Relembrando: os vers. de 1-6 relatam a visão e os de 7-18 dão a interpretação.
O versículo 7 é uma introdução à interpretação e o versículo 8 já é o início
dela.
Comecemos, então, pela
primeira frase do versículo 8: “a besta que viste, era e não é, está para
emergir do abismo e caminha para a destruição...”.
O versículo 8 tem início com
o enigmático “a besta que viste era e não é, está para emergir...” (para
facilitar usaremos as mesmas palavras do Comentário Bíblico Adventista - a
Besta “era, não é, e será”).Ao nosso ver, é fundamental para a compreensão de
Apocalipse 17 entendermos bem essa relação da Besta com o verbo “ser” em seus
diferentes tempos verbais. A priori, soam misteriosos, mas são facilmente
compreensíveis. Concordamos neste ponto com a maioria da literatura adventista
apocalíptica, para a qual, é praticamente unânime que estas expressões do verbo
“ser” (Besta era, não é, e será) tratam do tempo em que o papado tinha
supremacia (poder de perseguir), perdeu- a e irá recuperá-la.
Por quê concordamos?
1º) A besta de Apocalipse 17
é reconhecidamente um símbolo do papado.
2º) Em toda a história do
papado encontramos apenas um período que encaixa-se claramente na expressão
“era, não e será”. No ano de 538 d.C. , através de um decreto de Justiniano,
imperador roma- no, o papado ganhou poder político estatal, cumprindo a
profecia para o surgimento da besta (outro fato que confirma o nascimento do
papado é a derrota dos ostrogodos, também em 538 d.C., cumprindo a profecía de
Daniel 7 - mais detalhes ler - “Uma Nova Era Segundo as Profecias de Daniel” de
C. M. Maxwell, Casa Publicadora Brasileira).
A partir de então (538
d.C.), a besta “era” perseguidora, poderosa, tanto, que calcula-se na casa de 100
milhões, o número de mortos pela “Santa Igreja” Católica Apostólica Romana
nesta época (mais que as duas grandes guerras mundiais juntas), devido,
principal-mente, às “Santas Cruzadas” e à “Santa Inquisição”.
Seguramente a besta era
poderosa. Com o passar dos anos, seu poder perseguidor foi declinando e, em
1798, cumprindo a profecía dos 1260 anos (Apoc. 12), o general Alexander
Bertier, a mando de Napoleão Bonaparte, aprisiona o papa (Pio VI) e acaba
oficialmente com o “status quo” papal, perdendo ele o poder que detinha.
A partir de 1798 inicia-se,
então, o período chamado “não é”, onde o papa não tem a supremacia e nem o
poder de perseguir que o caracterizaram até então. Ao nosso ver, a besta não
“voltou a ser” em 1929 quando do Tratado de Latrão (voltaremos a este assunto
mais tarde). Para a besta “voltar a ser” tem que recuperar o poder de
perse-guir, de “levar em cativeiro”, coisa que, nem em 1929, nem atualmente,
podemos observar como já tendo acontecido. Mas isso, nós, adventistas do sétimo
dia, sabemos que acontecerá no futuro.
3º) O Espírito de Profecia
traz basicamente a mesma idéia:
“Os 1.260 anos da supremacia
papal co- meçaram em 538 de nossa era e terminariam, portanto, em 1798. Nessa
ocasião um exército francês entrou em Roma e tomou prisioneiro o papa, que
morreu no exílio. Posto que logo depois fosse eleito novo papa, a hierarquia
papal nunca pôde desde então exercer o poder que antes possuíra.” (grifo nosso)
Ellen G. White, O Grande Conflito, pág. 266 Versículo 8 - Parte II:
E aqueles que habitam sobre a terra,
cujos nomes não foram escritos no livro da vida desde a fundação do mundo se
admirarão vendo a besta que era e não é,
mas aparecerá.”
Esta “parte II” do vers. 8,
na verdade é um parênteses, um comentário à profecia. Com certeza muito
importante, mas, por uma questão didática, para não perdermos a seqüência de
raciocínio, achamos melhor analisá-lo no apêndice (número “3”) deste material.
5.2. Entrelaçando as
Profecias
Versículo 9-10: “Aqui está o sentido, que tem sabedoria:
as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está assentada. São também
sete reis...”.
A expressão “sete cabeças”
tem duas funções proféticas:
- a primeira, como
já citamos, é a de localizar geografica-mente a sede do poder da besta (“são
sete montes”);
- a segunda função
nos impõe um novo desafio. Além das sete cabeças serem sete montes, elas também
são sete reis. Qual afi-nal é o desafio? Responder: QUEM SÃO OS SETE REIS?
Tentaremos elucidar a partir
de agora esta questão, que cremos ser o “coração” deste pequeno estudo. Pedimos
ao irmão a máxima concentração, oração e paciência conosco. Porque, se para
nós, entender já foi um desafio, quanto mais explicar. Mas, com fé na
misericórdia e no poder divinos, vamos a ela.
Primeiramente, para
compreensão de quem sejam os sete reis, precisamos localizar em que tempo da
história estão eles inseridos, para depois, então, determinarmos sua natureza e
verificarmos quem realmente eles são. E a profecia nos dá esta possibilidade?
Sem dúvida.
Para tanto, entrelacemos
duas profecias de tempo que se encontram em Apocalipse 17.
Podem elas parecer distintas, mas veremos que estão
intimamente ligadas. São elas:
- “era, não é, e
será” (citadas nos versículo 8 duas vezes e no 11, uma vez);
- e “São também sete
reis, dos quais caíram cinco, um existe e outro ainda não chegou; e, quando
chegar, tem de durar pouco.
E a besta, que era e não é,
também é ele o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição.”
(versículos 9, 10 e 11) (Outro ponto importante é lembrar que a profecia, na
ver-dade, não fala de apenas sete, mas sim de oito reis. Embora o oitavo não
seja uma das cabeças, é um rei vindo na mesma seqüência, fazen-do, portanto,
parte do todo.)
Cremos que o irmão verá uma
grande harmonia e um encaixe, que podemos chamar natural, das duas idéias
proféticas, que, como dissemos, são a “chave” para a interpretação dos reis.
Relembremos:
Tudo nos leva a crer, e é
quase unanimidade no meio escatológico adventista, que a expressão “era e não
é, será” refere-se aos seguintes períodos históricos da besta.
Iniciamos o entrelaçamento
das profecias pelo seu período final. Perceba: O oitavo rei, obrigatoriamente,
confunde-se com o período “será”. No exato momento, não antes nem depois, que o
oitavo rei surgir inicia-se o período de tempo “será” e vice-versa, o período
“será” começa com o aparecimento do oitavo rei.
Embasemos...
-O versículo 8, na
sua primeira parte, nos diz:
“a besta que viste,
era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição”.
-O versículo 11 nos
diz:
“e a besta que era e
não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a
destruição”.
PRIMEIRO:
TROCA DE EXPRESSÃO
Note, os dois versículos são
praticamente idênticos, sendo a primeira diferença a de que, no momento em que
o versículo 8 diz que a besta “está para emergir” (será), o versículo 11 troca
essa expressão por “o oitavo rei”.
SEGUNDO:
COINCIDEM AS
EXPRESSÕES
Além da troca acima citada,
existe a coincidência de ex-pressões (que é própria da ciência escatológica).O
versículo 8 diz que a “besta que era e não é, está para emergir do abismo e
caminha para a destruição”. O versículo11 também usa exatamente a mesma
expres-são, “e caminha para a destruição”, só que agora refere-se ao
aparecimento do oitavo rei. Mais um argumento para afirmarmos que o oitavo rei
confunde-se com o período “será”.
Interessante citar que o
comentário bíblico adventista também confirma esse raciocínio (pág. 869, vol.
VII): “É também o oitavo. Esta é a
besta quando ressurge no período ‘será’, imediatamente depois da sua saída do
‘abismo’...”(pág.866) “Portanto,quando a besta ‘subir do abismo’, ‘será’,
existirá com ‘o oitavo’, literalmente ‘um oitavo’“
Portanto...
SERÁ
= OITAVO REI
VISUALIZANDO
Entendendo que o oitavo rei
confunde-se com o período de tempo “será”, podemos agora localizar o momento de
surgimento dos demais reis (sete reis). Porquê?
Perceba, não há lógica em
apenas o oitavo rei ser relacionado a um dos períodos de existência da besta. O
fato da profecía entrelaçar o oitavo rei ao período de tempo “será”, mostra,
nitidamente, que existe ligação dos outros reis (sete) com os outros períodos
de tempo (“era e não é”).
A profecia separa os oito
reis em dois blocos bem distintos: os “sete reis” e o “oitavo”. Se o oitavo rei
encaixa-se com o período “será”, obrigatoriamente os demais (“sete reis”) estão
em algum dos períodos passados: ou no “era”, ou no “não é”, ou nos dois,
concomitantemente, ou mesmo antes deles. Mas como saber qual des-tes?
A resposta é simples. Ao
nosso ver os “sete reis” estão inseridos dentro de um único período de tempo, o
“NÃO É”. Os “sete reis” existem no mesmo período de tempo em que a besta “não
é” poderosa (1798 - ?). Ou seja, teriam que surgir, em algum momento, de 1798
(início do período “não é”) para frente. Por quê?
Embasemos...
O versículo 10 diz - “SÃO
também sete reis” - o verbo (ser) que se refere aos reis está, dentro da
profecia, no presente do indicativo, coincidindo desta forma com o período “não
é” (verbo ser, também no presente do indicativo). Os sete reis existem no
momento em que a besta “não é”.
Perceba, a profecia não diz
que os sete reis “serão”, “emergirão” ou “caminharão” (colocando-os no futuro)
, nem que “eram” ou que “foram” (colocando-os no passado), mas, sim,
repeti-mos, que “SÃO” (verbo ser no presente do indicativo), relacionando-os
claramente com o tempo em que a besta “não é” poderosa.
E, pelo que já vimos, quando
inicia-se o período “não é”? A partir de 1798. Assim, os sete reis devem,
obrigatoriamente, surgir em algum momento após esta data, pois somente desta
forma estariam dentro do período “não é”.
Se os “sete reis” estão
dentro do período de tempo “não é”, sua subdivisão, “cinco caíram, um existe e
o outro não chegou”, teria de ser aí encaixada.
Cremos que os “sete reis”
estão dentro do período “não é” (1798 em diante), não apenas por esses
argumentos aqui apresentados.
Além deles, ocorre o fato de
que seria impossível o encaixe dos “sete reis” dentro de outros períodos de
tempo. Vejamos...
- Não podem ser
encaixados antes do período “era” (538- 1798), pois antes de 538, a própria
Besta não existia como tal, e como já vimos, não poderiam existir os “sete
reis”, suas cabeças, sem que exista o animal (besta).
- E não poderíamos
fazer o encaixe dos “sete reis” subdi-vidindo- os fora do período não é? Não
poderíamos pensar da seguinte forma: “cinco caíram” estariam dentro do período
“era”; “um existe” estaria dentro do período “não é”; e assim por diante?
A resposta é
simples: não?
Se tentarmos tirá-los (os
“sete reis”) de dentro do período “não é” e reencaixá-los nos outros períodos
de tempo da besta, a profe- cia não “fecharia”, pois ocorreria o seguinte:
Os “cinco” que “caíram”
(verbo no passado) estariam encaixados dentro do período “era” (verbo no
passado) – certo!; “um existe” (verbo no presente) estaria encaixado dentro do
“não é” (verbo no presente)– certo! Até aqui tudo bem, agora, porém, surge o
proble-ma, pois com relação ao “outro” (sétimo rei) a profecia diz que “ainda
não chegou”, “não é vindo”, ou seja, “virá”, “chegará”, “aparecerá” (futuro -
fora do tempo presente da profecia) devendo assim, obrigato-riamente ser
encaixado no período “será”. Porém, como já vimos (e o próprio Comentário
Bíblico Adventista confirma) o período “será” só se inicia quando surgir o
oitavo rei, não o sétimo. Frisando - o sétimo não pode fazer parte do período
de tempo “será”, pois este só tem seu início quando o oitavo rei aparecer, e
por outro lado, também não pode-ria estar no “era”, nem no “não é”, pois “ainda
não chegou” (futuro)
Desta forma não há “lugar
profético” para o sétimo rei se tentarmos imaginar que a subdivisão, “cinco
caíram, um existe e o outro não chegou”, se dê fora do período “não é”. Porém,
como já vimos, se colocarmos os “sete reis” dentro do período “não é”, então a
divisão torna-se possível e natural.
Ainda com relação à
colocação dos sete reis no período de tempo “não é”, é importante salientar
mais dois pontos bastante simples:
1º) A profecia não determina
que os sete reis iniciem seu aparecimento em 1798, mas a partir desta data,
pois estão dentro do “não é”, e não, obrigatoriamente, são eles que
caracterizam o início deste período.
2º) Os sete reis estão
dentro do período de tempo “não é”.
Porém, não surgem simultaneamente, mas sucessivamente.
Em outras palavras, não surgem juntos, mas em seqüência, um após o outro,
dentro do mesmo período “não é” (depois de 1798).
E qual a base para esta
afirmação?
a) o versículo 10
diz que, “cinco caíram, um existe, e outro não chegou”, o que claramente denota
seqüência (analisaremos nos próximos capítulos estas expressões);
b) neste ponto, do
surgimento dos “sete reis” em sequên-cia, não há nenhuma discordância entre os
escatólogos.
Continua...