O Cenário do Poder V
O mundo ficou estupefato diante dos
ataques sofridos pelos EUA no dia 11 de setembro de 2001. Essa é a data que
marca a mudança de rumo da história da humanidade. É como se os dirigentes do
planeta agora acordassem para uma nova realidade, que já se desenhava, mas
ainda não era suficientemente percebida. Satanás enviou um recado ao mundo:
"este mundo é meu, eu quero exclusividade, é preciso que me considerem como
o único". Não me refiro aos talibãs, nem aos terroristas, muito menos ao
povo muçulmano, cujo princípio de sua religião é em primeiro lugar a paz.
Refiro-me ao uso que satanás faz dos princípios elementares das religiões,
tanto dos muçulmanos quanto dos cristãos e do judaísmo. Há em cada uma delas
elementos que, se bem manipulados para interesses maléficos, podem induzir
pessoas a tornarem-se instrumentos de poderosa utilidade para o mal. Isso já
foi feito no passado, e resultou na união de estado com a igreja.
O atentado mais violento da história da
humanidade foi de intensidade tal que mudou alguns conceitos fundamentais para
a política global. Agora não mais liberdade, mas controle em nome da segurança
e agora não mais confiança, mas mais leis e armas para garantir a paz. Trata-se
de, em primeiro lugar, garantir a vida e o patrimônio. Para isso, chegou a hora
de abrir mão da liberdade e da confiabilidade. E uma busca incessante por
culpados. Depois daquele dia, qualquer desconhecido pode ser um inimigo, e mesmo
os conhecidos não são mais suficientemente confiáveis. A própria sombra assusta
as pessoas, com medo de tudo. Os americanos tem medo, os muçulmanos tem medo,
quem não tem medo?
Disto resulta o medo, o racismo, a
discriminação, a xenofobia, mas também resulta algo muito precioso: as pessoas
precisam de algo mais sólido que a segurança precária em que sempre confiavam.
(Tenho percebido nesses últimos dias a necessidade de explicações de outra
natureza que as de sempre. Muitos buscam saber o que a Bíblia tem a dizer sobre
os recentes fatos).
O mundo político agora, ainda meio
tateando, enfrenta uma realidade nova, desconhecida na prática, mas urgente e
desafiadora. Trata-se de enfrentar (jamais buscarão entender) ideologias e
pensamentos contrários aos aceitos no ocidente. O planeta está sendo todo
ocidentalizado, mas veio a reação muçulmana oriental, da parte de uma minoria
dentre essa grande religião, que sendo fundamentalistas e radicais ao extremo,
passam a reagir violentamente contra a modernização oriental ao modelo cristão
ocidental. De modo que, os políticos agora devem considerar em suas decisões as
questões religiosas, tanto as dos muçulmanos quanto as dos cristãos. Esse
assunto incorporou-se na política. Esse
dia marca a data do início de uma caminhada rumo a unificação prática dos
interesses do estado e da igreja predominante.
Os países, daqui por diante, para
administrarem suas questões políticas internacionais precisam considerar as
igrejas, ou no entender de alguns, "a igreja". (Fica complicado
incorporar igrejas para junto do estado, mas uma igreja, isso já tem história.)
Agora é pelos princípios das igrejas que os grandes atos serão decididos. As
igrejas adquiriram gigantesco poder. O paganismo tomou conta de muitas igrejas
cristãs, e se mostra dividido em si mesmo.
Esse caminho já foi trilhado pelos estados
em outra época, há mais ou menos 1.700 anos atrás. E resultou em cruel
discriminação de grupos chamados dissidentes que durou por 1.260 anos. Pois, agora está estabelecido o cenário político
para outra vez tornar-se "necessário" unir religião com estado, para
poder continuar administrando. Dum lado, falam "guerra santa", do outro, "operação justiça infinita". A igreja torna-se um poder aliado ao estado
para a sua ação política, sem a qual, não consegue mais operar. Essa aliança
resulta num efeito prático certo: fim da liberdade religiosa, e o fim de outras
liberdades fundamentais. Trata-se de tentar uma sobre-vida quando nada mais é
confiável. Nesse ponto, o místico e o misterioso tornam-se pontes de salvação.
E o que vem depois, já sabemos. Igreja e estado juntos mais uma vez, desta vez
a última, isto é o desfecho.
"Certamente
venho sem demora. Amém. Vem, Senhor JESUS" (Apoc. 22:20,
up).
Prof. Sikberto R.
Marks