ADÃO E EVA, MITO OU REALIDADE?

 

"O Mendigo Lázaro não existiu em carne e osso. Adão e Eva também não."

Essa declaração procede de um dos mais destacados padres da igreja Católica Apostólica Romana no Brasil.

No livro "Tranqüilamente Católico" (edit.Paulus), o senhor José Fernandes de Oliveira, mais conhecido como "padre Zezinho", escandaliza católicos e evangélicos com a alegação de que muitos personagens da Bíblia eram apenas "conto da carochinha", inclusive o primeiro casal bíblico, Adão e Eva.

Não é de hoje que ateus e agnósticos adeptos do cepticismo materialista descartaram as narrativas do "Gênesis" como fatos históricos, relegando-as a meras figuras de retórica, quando não, a lendas e superstições.

Como bem expressou o escritor e teólogo Joe E. Tarry referindo-se aos ataques e críticas contra a palavra de Deus, "É fácil entender os ataques fora da igreja, mas é difícil entender os de dentro dela"

Mas o inevitável aconteceu! Nos séculos 18 e 19 nasce na Alemanha em arraial protestante, e posteriormente também nos católicos, um dos maiores inimigos das sagradas escrituras, a chamada "Alta Crítica", desenvolvida e aplicada por teólogos liberais. Este era um método literário de interpretação que consistia num exame minucioso do texto bíblico, entretanto de maneira naturalista e racional, relegando os milagres bíblicos a meras lendas e contos populares. Até mesmo muitas passagens, locais, personagens e costumes considerados pela igreja durante séculos como verídicos, foram postos sob suspeita. Tendo este pano de fundo histórico em mente, podemos então entender onde se firmam as bases do liberalismo teológico de padre Zezinho e suas pressuposições a respeito de Adão e Eva, e conseqüentemente por fim, toda a Bíblia.

As pressuposições do liberalismo teológico são as bases em que se firmam as alegações de padre Zezinho.

Quem é padre Zezinho?

  José Fernandes de Oliveira, o Pe. Zezinho, nasceu em Machado, Minas Gerais, em 8 de junho de 1941. Seu pai era violeiro – daí o gosto pela música. Zezinho é o caçula de seis irmãos. Seu pai era também boiadeiro e, numa das viagens, quando conduzia gado para São Paulo, lesou a espinha. Acabou morrendo paralítico. Foi nessa época que começou a conviver com os padres, que davam assistência à sua família. Sua mãe também morreu paralítica, devido a complicações de diabetes nas pernas.

Ordenado padre aos 25 anos de idade em 1966 nos EUA, logo assumiu o teatro e a música em 1967 e os meios de comunicação em 1969.

Zezinho, é, segundo atestam editores, sacerdotes, missionários, bispos de vários países e até lideres de outras Igrejas, o cantor mais conhecido em todas as Igrejas e um dos que mais arrastam multidões. Na verdade ele foi um dos pioneiros da música católica. Já compunha desde 1964, mas oficialmente iniciou sua carreira de cantor em 1967. Em 1969 gravou seu primeiro compacto intitulado "Shalom" com a Paulinas COMEP. O sucesso de suas músicas foi imediato e logo se tornou um profeta para o povo católico.

"...padre quando abre a boca tem que saber do que está falando". Padre Zezinho

Será mesmo? Bem, o livro citado acima parece contradizer a lógica dessa frase, como veremos!  

O LIVRO

A referida obra foi escrita com o objetivo de recatequizar os católicos como subentende o título, e em contra partida, ridicularizar os evangélicos fundamentalistas, taxando-os de proselitistas, tapados e antiquados. O conteúdo do livro possui um forte apelo ao ecumenismo, e na opinião do padre, a igreja que não entra no esquema ecumênico não pode ser levada a sério; é radical, fanática e por isso não é de Jesus!

Usando uma ironia filosófica, própria dos padres polemistas católicos, ele assegura que o cristão, tanto católico quanto o evangélico, precisam enxergar o que há de "bom" na igreja do outro! Precisa haver diálogo! Diz padre Zezinho. Isto se constitui em um grande contra-senso, pois nos moldes do ecumenismo, o crente (ecumênico) aceita que Jesus é o único intercessor entre Deus e os homens, mas também dá um jeitinho de entender os muitos intercessores dentro do panteão católico. Ele sabe que as sagradas escrituras proíbem fazer ou adorar imagens, mas também "entende" a necessidade de um católico tê-las como ajuda na sua adoração a Deus. Há algo mais contraditório do que isso? No entanto Jesus fora enfático ao dizer:

"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro"

ATAQUE À BÍBLIA

Como já vimos o liberalismo teológico da "Alta Crítica" corroeu a credibilidade das escrituras sagradas, jogando por terra a veracidade dos fatos lá encontrados, que por séculos foram a base da fé de milhões de cristãos, inclusive de muitos católicos.

É sabido que atualmente a teologia católica está infectada com a lepra do criticismo liberal e ao que parece, padre Zezinho foi contaminado por ela.

Infelizmente ele não está sozinho nessa estrada. O autor católico José Bertolini segue nas pisadas do senhor José Fernandes quando afirma a mesma coisa em seu livro "Tire suas dúvidas sobre a Bíblia" na pergunta 52 da página 80. Diz ele:

"Com o passar do tempo, Adam e havvah, se tornaram nomes de pessoas. Daí passou-se a crer que a humanidade inteira começou com um casal chamado Adão e Eva. O Novo Testamento, e muita gente depois dele, também foram nessa direção."

Veja a declaração de que: "O Novo Testamento, e muita gente depois dele, também foram nessa direção". Fica subtendido, e mais do que claro, que na opinião desses "teólogos", até mesmo os apóstolos, e o próprio Jesus, estavam enganados acreditando e ensinando que a humanidade procedeu de um único casal e que a este casal, cabe a culpa do pecado original. Que absurdo!!

As aberrações teológicas desses livros não se limitam apenas a Adão e Eva mas se estende a uma lista de personagens e eventos registrados na Bíblia, entre eles um bem curioso, o mendigo Lázaro.

 

CONTRADIÇÕES

A história (com H) do Rico e Lázaro registrada em Lucas 16:19, sempre foi uma pedra de tropeço às heresias das seitas através dos séculos, seja para refutar a reencarnação ou a batida teoria do aniquilacionismo.

Agora num passe de mágica, padre Zezinho tenta fazer desaparecer a historicidade de Lázaro. A grande contradição de tudo isso é que justamente a igreja católica tem em Lázaro o protetor contra as chagas. Para os cépticos e para quem quiser conferir basta entrar em uma livraria católica e ver a imagem desse "santo", observará um velho maltrapilho, com chagas, acompanhado de um cachorro. É muita coincidência para negar ser o mesmo personagem Bíblico de Lucas!

Agora, a pergunta que emergi de nossas mentes parace ser um desconcertante e vergonhoso cheque-mate para os católicos. Das duas, uma: ou é o padre Zezinho que está certo com sua afirmação de que Lázaro nunca existiu, ou então a igreja católica com seu "São Lázaro", pois um santo tem que ser pessoa real, nunca imaginária, caso contrário, se reduziria a mera mitologia. Quem estará com a verdade? Se a primeira alternativa estiver correta, então a igreja católica se apresenta como uma grande exploradora da fé de milhões de católicos que tem na imagem de "São Lázaro" seu protetor, arrecadando milhões com a venda dessas imagens (imaginárias) todo ano. Caso a segunda estiver correta, então padre Zezinho precisa se retificar perante seus leitores católicos.

NOTA IASDtatui: VEJA NO FIM DESTE ESTUDO A REAL INTERPRETAÇÂO BÍBLICA SOBRE O RICO E LÀZARO (Pelo que foi exposto acima - segundo o autor deste estudo que pertence à Assembléia de Deus – crêem eles na imortalidade da alma, no sofrimento eterno e no arrebatamento secreto da igreja; e, portanto, fica difícil entender certas passagens bíblicas). Continuando:

INFLUÊNCIA DO EVOLUCIONISMO

O Papa João Paulo II num documento enviado à Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano em Outubro de 1996 foi a favor da teoria da evolução, se bem que ele, não estava apresentando nada de novo, pois um de seus antecessores, o Papa Pio XII, já tinha dado a entender na encíclica "Humani generis" de 1950 sua simpatia por tal teoria.

É claro que as investigações da "alta Crítica" foram influenciadas pela teoria evolucionista. Isto explica em parte essa aversão da teologia católica a todos os que crêem literalmente nos relatos Bíblicos taxando-os pejorativamente de fundamentalistas que "crêem na Bíblia ao pé da letra". É interessante o que o apologista Josh McDoweel registrou sobre este assunto citando Herbert Hahn:

"...O conceito genético da história do Antigo Testamento ajustava-se ao princípio evolucionário de interpretação que prevalecia na ciência e na filosofia contemporâneas". No campo das ciências naturais, a influência exercida por Darwin tinha feito da teoria da evolução a hipótese predominante que afetava todas as pesquisas."

Dave Hunt que há vinte anos pesquisa seitas e ocultismo, comenta sobre a opinião de certo sacerdote católico favorável à evolução. Diz ele:

"Edward Daschbach, um sacerdote católico, explica que tomar a Bíblia literalmente exigiria admitir que a mulher que se assenta sobre a besta em Apocalipse 17 é a Igreja Católica Romana! Ele escreve: "A Igreja, portanto, não aceita... a interpretação literal dos primeiros capítulos do livro de Gênesis... Quando os que advogam o criacionismo aplicam suas ferramentas fundamentalistas a este último livro [Apocalipse], a Igreja muitas vezes se torna alvo de veementes ataques.(2)

Protestantes que, como Charles Colson, juntaram forças com Roma, advogam que o catolicismo concorda com eles sobre a inerrância da Bíblia. Pelo contrário, o Concílio Vaticano II declara: "Daí afirmarmos que a Bíblia é livre de erro naquilo que pertence à verdade religiosa revelada para nossa salvação. Não é necessariamente livre de erro em outros assuntos (por exemplo, ciências naturais)" [ênfase no original].(3)" E então comenta:

"Isso não é uma questão trivial. Se o relato da criação em Gênesis não é digno de confiança, o restante da Bíblia também não pode ser confiável, pois depende desse relato. Além disso, prova-se que Cristo não era realmente Deus, mas um mero mortal que, tolamente interpretou literalmente a história de Adão e Eva (Mt 19.4-5), e não pode, portanto, ser nosso Salvador."

 

A HISTORICIDADE DE ADÃO E EVA

Diz o erudito bíblico Gleason L. Archer que "Nenhuma objeção decisiva, porém, tem sido levantada contra a historicidade de Adão e Eva, em bases históricas, científicas ou filosóficas. O protesto tem sido baseado essencialmente em conceitos subjetivos de improbabilidade" ou seja, tudo parte dos pressupostos do investigador, se o tal não crê em Deus e conseqüentemente nos milagres, para ele se torna impossível a narrativa de Gênesis. Archer prossegue dizendo:

"Do ponto de vista da lógica é impossível aceitar a autoridade de Romanos 5 "Por um só homem entrou o pecado no mundo...Pela ofensa de um, e por meio de um só, reinou a morte...Pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores" sem aceitar a inferência que a raça humana inteira advém de um único progenitor. Em Romanos 5 há um contraste entre Adão e Cristo. Se, portanto, Cristo era um indivíduo histórico, Adão também o era (se não o apóstolo inspirado estava errado). Semelhantemente, Paulo aceita os detalhes de Gênesis 2, e os da tentação e da queda em Gênesis 3, como sendo história literal.

Em 1 Timóteo 2:13 e 14 diz: "Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher sendo enganada caiu em transgressão"

E mais, "Aqui, o registro inspirado fala dum Adão e duma Eva literais, e não dá a mínima impressão que a narrativa seja mitológica na sua intenção. Certamente Cristo e os Apóstolos receberam-na como sendo história verdadeira."

Possivelmente a alusão a uma serpente que fala possa sugerir um mito. Nesse caso declara ainda o erudito: "Mas tanto o contexto como as demais referências nas escrituras (cf. Ap 20:2, "a antiga serpente, que é o diabo, Satanás") deixam claro que a serpente era apenas um disfarce através do qual o Tentador falou. Nesse réptil Satanás achou um veículo apropriado para fazer suas sugestões. Semelhantemente, o asno de Balaão (Num 22:28) era o veículo através do qual o Senhor falou para seu servo desobediente."

Norman Geisler reflete o mesmo pensamento e acrescenta que : "A existência e a queda de Adão tampouco podem ser um mito. Se não tivesse havido literalmente um Adão, e se não tivesse havido de fato a queda, então o ensino espiritual quanto ao pecado herdado e quanto à morte física, dele decorrente, estaria errado (Rm 5:12). A realidade histórica e a doutrina teológica juntas permanecem ou juntas caem por terra".

Além disso, a doutrina da encarnação é inseparável da verdade histórica de Jesus de Nazaré (Jô 1:1,14). E ainda, o ensino de caráter moral de Jesus quanto ao casamento baseou-se no que ele ensinou quando disse que Deus juntou literalmente um Adão e uma Eva em matrimônio (Mt 19:4-5). Em cada um destes casos, o ensino moral e o teológico perdem totalmente o sentido se desconsiderado o evento histórico e fatual.". Então conclui: "Negando-se que aquele evento ocorreu literalmente no tempo e no espaço, fica-se então sem uma base para crer na doutrina bíblica construída sobre ele" .

A questão é tão séria que um ateu comentou: "Destruam-se Adão e Eva e o pecado original, e nos escombros se encontrarão os restos mortais do Filho de Deus, eliminando-se assim qualquer significado para sua morte".

 

DIFICULDADES INSUPERÁVEIS

Fora as dificuldades teológicas expostas acima que essa teoria enfrenta, pois Paulo, o apóstolo inspirado, declara repetidas vezes sobre a verdade de Adão e Eva, "...e de um só fez todas as raças dos homens, para habitarem sobre toda a face da terra...", ela ainda deixa muitos fatos realmente sem explicações, como por exemplo: a unidade da raça, fato este confirmado pela ciência. De outro lado os argumentos em favor da criação bíblica é deveras esmagadores como por exemplo: a filologia, biologia, psicologia, sociologia, antropologia e arqueologia. Todos os argumentos baseados nestas ciências vêm corroborar de que o primeiro casal da raça humana está de acordo com a origem que o livro de Gênesis lhes dá.

Fatos científicos sobre a serpente

A revista "Chamada da Meia Noite" de março de 2000 trouxe sob o título "O veneno que vem do além" a seguinte matéria sob a cascavel: "Li um artigo com esse título na revista alemã "Facts": A cascavel consegue picar mesmo depois de morta, alertam médicos do Arizona no "New England Journal of Medicine". Das 34 vítimas de picadas...5 haviam sido atacadas depois da serpente estar morta, com a cabeça decepada ou após ter levado diversos tiros."

Interessante, não? Agora compare com o verso de Gênesis 3:15 que diz:

"Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar."

Somente agora este fato vem a público como descoberta, mas a Bíblia já o dizia há séculos. Algo muito estranho se Adão e Eva fosse uma mera lenda!!

CACP Centro Apologético Cristão de Pesquisas

VEJA agora um Estudo sobre o Estado dos Mortos (sobre Lázaro) e entenda que o que você viu neste estudo da Assembléia de Deus é muito bom mas ainda carece de um pouco mais de Luz. Luz esta que somente o Espírito Santo pode dar através de Jesus e do Seu ministério terrestre registrado nas Sagradas Escrituras:

SÉRIE Responda – especial

1 – Corpo, Alma, Espírito – Céu e Inferno.

Responda: O que você conhece sobre estes assuntos?

Sua resposta: ____________________________________________________________

"Por séculos a idéia sobre o homem tem sido influenciada pelo filósofo grego Platão. Ele sugeriu que o homem consiste em duas partes: a alma imortal e o corpo corrupto, mortal. Esses dois elementos ele via como totalmente diferentes: um eterno e bom, outro, fraco e temporário".

"Durante a vida na terra, ensina Platão, a alma tem que residir no corpo, como uma prisão de que se livre na morte. Ele fala do corpo como fonte de intermináveis problemas, e cria que o puro conhecimento de tudo poderia ser alcançado quando a alma se libertasse do corpo..." – Assim diz o Senhor, pag. 209.

Esta idéia platônica choca-se totalmente com o ensino bíblico de que o "corpo é o templo do Espírito Santo" (I Cor. 6:19)...

Agora vamos à Bíblia e vejamos o que ela tem a nos dizer sobre imortalidade ou o estado das pessoas após a morte, o significado de alma e de inferno...

Em primeiro lugar, quero explicar que no original, o Grego em que o Novo Testamento foi escrito, não existem pontuações, tais como virgula, ponto e virgula, etc. E, seguindo este ponto de vista, analisaremos um texto muito usado pelos "cristãos" que querem crer em um julgamento imediatamente após a morte - Luc.23:43, o ladrão na cruz - de três formas diferentes, a saber:

Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. (Luc. 23:43) – Sem vírgula, você lê e entende como quiser...

Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que, hoje estarás comigo no paraíso. (Lucas 23:43) – Assim, é como os adeptos do espiritismo querem: hoje estarás comigo...

Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo hoje, estarás comigo no paraíso. (Lucas 23:43) – E, que tal assim: Cristo afirmando "hoje (agora) estou lhe dizendo (acredite!), o seu lugar está garantido no paraíso. Percebeu? Para nós ocidentais, uma virgula, uma preposição ou artigo altera o sentido...".

Quando você houve alguém, ou mesmo você, falando sobre alguém que já morreu e que "ele", lá de onde "agora está" estaria sofrendo por uma dificuldade que estaríamos passando... Você já pensou sobre o que a Bíblia nos ensina sobre isso?

O Rico e Lázaro:

Um texto muito discutido, que aborda um outro assunto (entenda o contexto), mas muito usado por certas denominações que crêem em um tormento eterno, é o que nos diz Luc. 16:22-30 - Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado. No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama...

Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos. E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós. Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento. Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos. Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão. (Lucas 16:22-30).

Vamos entende-lo melhor:

1 – Uma parábola, usa elementos (certos ou errados) conhecidos para fazer uma analogia... Por exemplo: As 10 noivas! Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo. (Mateus 25:1) É certo ou errado ter dez noivas? Percebeu?

2 – Naqueles dias os judeus tinham incorporado elementos estranhos (paganismo vindo do tempo do exílio em Babilônia) ao Velho Testamento.

3 – Note a incoerência com a realidade quando o rico pede água: "eles" tinham corpo (língua, dedos) e necessidades físicas (sede).

4 – O espiritismo (satanismo) já estava operando (comunicação com "os pretensos" mortos).

5 – O contexto esta afirmando que para a salvação (a vida eterna) as suas obras (riquezas) não são suficientes... e portanto, não só as obras (muito realizada – hoje – pelos espíritas) mas também o cumprimento das leis (a Lei e a Fé em Jesus Cristo...).

6 – Você gostaria de receber a vida eterna com Cristo, se "de lá" você ficasse vendo "o tormento eterno" de, por exemplo, sua mãe (caso ela não recebesse a salvação)? Afinal, que "Deus" é este que permite o sofrimento até mesmo dos seus filhos salvos?

A Bíblia cita casos de pessoas especiais a quem Deus deu um tratamento também especial... A estes, a bíblia é clara em citá-los; vejamos alguns:

Enoque; que em sua "juventude" (apenas trezentos e sessenta e cinco anos...) foi resgatado por Deus... Gen. 5:23e24 e Heb. 11:5.

Moisés, que foi impedido (pela sua transgressão: Nun. 20:10-12) de entrar na terra prometida, imediatamente após a sua morte... Jesus (o arcanjo Miguel) o resgatou para a vida eterna – Judas 9.

Elias, que após cumprir toda missão a ele delegada, subiu aos céus (testemunhado por Elizeu, o qual recebeu, por sucessão, todo o dom divino dado a Elias ) em uma carruagem de fogo, enviada por Deus... II Reis 2:11.

E, no monte da transfiguração (Mat. 17:1-6), Pedro, Tiago e João viram Moisés e Elias, não em espírito, mas em alma viva... Compreendeu? Não?

Então, pela Bíblia vejamos o que significa alma: Em Gênesis 2: 7 temos que Deus criou o homem do pó da terra (corpo), deu-lhes o "fôlego de vida" (espírito) e o homem tornou-se uma alma vivente (no hebraico: nephesh chaiyah); ou seja: corpo + espírito = uma alma vivente...

E somente ao homem, Deus chamou "uma alma vivente"? Não. A tudo que vive! Veja Apoc. 16:3; Gen. 1:30. Então, somente ao homem, Ele deu o "fôlego da vida"? Também não! Veja Gên. 7:21e22... Então, o quê nos diferencia das demais criaturas?

Três coisas: 1 – ELE próprio, do pó nos criou... Gen.2:7; 2 – Nos fez à Sua Imagem e Semelhança... Gen. 1:27 e 3 – Nos deu o livre arbítrio (a liberdade de escolha; que nos permitiu escolher "o pecar").

Portanto, tanto o homem como os animais – isto sabemos – morrem, pois o mesmo "fôlego de vida" dele sai por ocasião de sua morte: Ecl. 3:19.

Então, pela Bíblia, como é definida a morte?

Quando Deus criou o mundo, Fez o perfeito... E Viu que era bom... (Gen.1:31). Não havia morte... Veio então a transgressão, e por este único homem entrou o pecado no mundo e junto com o pecado a morte... Rom. 5:12.

Desde então, durante o curto espaço de tempo em que estamos "vivos", temos que sofrer as conseqüências do "ato de Adão". Temos as doenças, as tragédias, as calamidades, a morte de entes queridos – todas armas de Satanás, o grande acusador – etc. E, não seria então um pouco injusto, uns serem "levados" antes que outros o fossem, isto é, ficarmos aqui mais um pouco, enquanto outros já estão vivendo com Cristo (ou no "inferno")?

E é justamente por isso que Deus permitiu a morte, não como "uma passagem desta para melhor" e sim como um estado intermediário entre esta vida e a vida eterna com Ele. Um "lugar" de espera... onde todos esperam. Repito, que todos esperam – Heb. 11:40 "por haver Deus provido coisa superior a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados". Percebeu? A Bíblia não diz que vamos direto para o Céu, após um julgamento imediato (nem mesmo Abraão já subiu aos céus – veja Hebreus 11)...

Estaremos aguardando, como nossos antepassados, inconscientemente em uma sala de espera...

Mas, então como é esta "sala de espera"?

Jó a descreveu assim: Mas, se eu aguardo já a sepultura por minha casa; se nas trevas estendo a minha cama; (Jó 17:13).

Podemos perceber que desde a "antiguidade" a morte é descrita como um "dormir". Veja: Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança. (1 Ts 4:13).

Em outra passagem, Paulo cita a mesma figuração, referindo-se à Cristo: Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. (1 Cor. 15:20), mostrando com isso, ser Cristo o principal dos que "dormiram e acordaram..."

E, o próprio Senhor Jesus Cristo, usava este sentido figurado para a morte: Isto dizia e depois lhes acrescentou: Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou para despertá-lo. (João 11:11) e no verso 14, João complementa: Então, Jesus lhes disse claramente: Lázaro morreu.

Podemos pensar então, que dormimos em um estado consciente? O Salmista responde no capítulo 146, verso 4, assim: Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia, perecem todos os seus desígnios. Leia também Eclesiastes 9:5 e 6.

Não! A morte é um sono inconsciente... Jó 14:21. Para ele (o morto) o tempo não existe! Não importando se, por exemplo, passou 5.500 anos de sua morte... para ele será como um piscar de olhos... e estará com Cristo; todos nós, simultaneamente...

Se assim não fosse, imagine se lá na sepultura, estivéssemos vendo o sofrimento dos nossos entes queridos, aqui nesta vida... que tormento seria esta espera!

E em nenhum lugar, a Bíblia se refere à alma como uma entidade imortal (ela só subsiste quando da união do corpo com o espírito, proveniente de Deus), capaz de viver independentemente de nosso corpo... Você já leu Eclesiastes 12:7? Lá você verá o processo inverso da vida, ou seja, o que acontece quando morremos: e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu...

Mas, conforme Eclesiastes 12, na ressurreição nossos corpos não estarão misturados ao pó da terra? Sim... mas você não acha que Deus não tenha a nossa "receita" guardadinha em seus "arquivos"? Não restaurou completamente Lázaro, que já estava em estado de putrefação? – João 11:39.

E o espírito? Exceto, em algumas passagens incoerentes, onde o "príncipe deste mundo", através de seus anjos satânicos, quer nos fazer crer que os espíritos venham comunicar-se conosco, almas viventes... a Bíblia é clara em afirmar que o espírito é de Deus e a ele retorna. Mas, por exemplo, analise I Samuel 28:3-25 e responda com quem Saul conversou? Veja que aquele pretenso Samuel acertou sobre os resultados daquele dia a seguir... E aquela "visão" levou Saul ao desespero... levando-o ao suicídio... Ponto para Satanás!

E a morte? Sabemos que o homem foi criado com imortalidade condicionada ao não pecar, e que somente após a segunda volta de Cristo – dentro em breve! – ele, o vencedor – receberia a imortalidade... Isto indica que todos seremos ressuscitados conforme I Cor. 15:51-54 "Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória".

Este texto, também explica I Cor. 15:50 - Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção; apesar de que o próprio contexto isto confirma, ou seja; este corpo miserável, corrupto, pecador, que nem mesmo a face do Senhor pode encarar (Adão, antes do pecado, podia...), não subirá aos céus, como Jesus Cristo Subiu!

Mas este texto é muito usado para os que querem que o céu seja somente para os espíritos bons, não em carne e osso... Será que Deus, ao nos criar, ERROU em nossa constituição física e terá que nos modificar – só espírito – para subirmos aos céus, como seus filhos... Não somos Sua semelhança? E para os ímpios, o inferno!

Mas, o que é inferno?

Em nossa cultura (paganizada) a palavra inferno, significa um lugar de tormento eterno, mas no original hebraico (sheol) ou no original grego (hades) ela indica, entre outras coisas, um lugar escuro, côncavo, subterrâneo, empregado como sepultura. Por isso, em algumas versões bíblicas temos a sua tradução por inferno, em outras, traduzidas por sepultura e até algumas versões modernas nem mesmo a traduzem, deixando como está no original (sheol – lugar de silencio).

Também grande confusão – conclusões – traz a palavra "eterno" (tormento eterno). Muitos a transformam em "para sempre", não querendo (para acomodar a sua teoria humana) verificar, histórica e biblicamente o seu real significado... E, após analisarmos com imparcialidade poderemos ver que:

1 – Eterno significa impossível retornar, refazer, voltar atrás,etc. Ex: A chama de um fósforo, após queimar totalmente o seu "combustível", ela se apaga "eternamente"; ou seja: não dá para reacendê-la... Por outro lado, não pode ser "extinto"... é impossível apagá-lo, imediatamente após riscá-lo (enquanto a "pólvora" lá estiver).

2 – Sodoma e Gomorra ainda queimam até hoje, já que foram destruídas pelo "fogo eterno"? – Judas 1:7.

3 – E, em Malaquias 4:1 (Pois eis que vem o dia e arde como fornalha; todos os soberbos e todos os que cometem perversidade serão como o restolho; o dia que vem os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo), entendemos que os ímpios serão totalmente destruídos, sofrendo as conseqüências dos seus atos... eternamente destruídos, pois sofrerão eternamente o castigo, prometido mesmo antes das suas transgressões... Ou seja: definitivamente!

Portanto, quando você ler textos ou versículos bíblicos e encontrar a palavra inferno, mentalmente substituam por sepultura; a palavra alma por vida; e quando encontrar fogo eterno entenda "aquele que queima totalmente" ou seja: de resultados eternos (pois este provém do Eterno), irreversíveis... e veja como isto facilita o seu entendimento...

Agora que você já tem elementos e significados suficientes para compreender, leia Apoc. 6:8e9: "E olhei, e eis um cavalo amarelo e o seu cavaleiro, sendo este chamado Morte; e o Inferno (a Sepultura) o estava seguindo, e foi-lhes dada autoridade sobre a quarta parte da terra para matar à espada, pela fome, com a mortandade e por meio das feras da terra. Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas (vidas) daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam..."

Você acha difícil, para Deus, mostrar um "vídeo-tape"...? Pois em visão, Ele não mostra fatos que já aconteceram e fatos que virão no futuro? Veja as profecias em Daniel (leia também o próximo estudo desta série especial: Dons Espirituais). Para ele (Daniel), eram visões "seladas" para um futuro distante... Para nós, profecias "abertas" e realizadas em quase sua totalidade, faltando praticamente, somente Cristo voltar nas nuvens e então, todo o olho o verá! Apocalipse 1:7. Ficou claro? Amém!

 

Nas páginas de Eventos Finais (Temas Polêmicos) você encontrará mais temas semelhantes à este... Amém!